ficar triste também é normal

Ficar triste também é normal: compreenda e aceite a tristeza

Durante toda a nossa vida experimentamos os mais variados sentimentos.

Experimentamos sentimentos que nos causam bem-estar e sentimentos que nos causam dor e desânimo.

A alegria é um dos sentimentos que mais buscamos, e a tristeza é um dos sentimentos que buscamos evitar com todo o nosso empenho.

Na nossa cultura somos ensinados desde pequenos que é ruim ficar triste, que isso é feio, que é sinal de que somos mal-agradecidos.

Os meios de comunicação nos incitam a adquirir coisas para sermos mais felizes, e mostram a tristeza como uma coisa que deve ser extirpada de qualquer jeito.

Também somos incitados a consumir medicamentos para erradicar a tristeza, como se fosse possível construir um paraíso utilizando panaceias químicas que afetam o funcionamento do nosso sistema nervoso central.

A tristeza é execrada, e não é incomum nos surpreendermos tentando fingir que não estamos tristes com alguma coisa que legitimamente nos dá motivos para ficarmos tristes.

É como se não mais tivéssemos o direito de ficarmos tristes, mesmo quando temos motivos legítimos para tal.

Tristeza não é sinal de fraqueza

Ao contrário do que dizem por aí, ficar triste é um direito de toda pessoa e nada tem a ver com fraqueza emocional.

A tristeza faz parte da vida humana.

Na verdade, sem ela não existiria vida humana verdadeira, pois só uma criatura sem sentimentos de qualquer forma seria capaz de viver sem sentir tristeza e/ou desânimo.

Ficar triste é sentir a vida com suas perdas e ganhos, com suas belezas, surpresas e possibilidades.

Ficar triste em determinados momentos é sinal de que temos a habilidade de reconhecer que alguma coisa está acontecendo conosco e/ou ao nosso redor.

E isso não quer dizer que estamos sendo fracos.

Na verdade, isso quer dizer que temos a capacidade de experimentar sentimentos.

Quer dizer que realmente somos humanos e que percebemos as coisas que a vida nos oferece e nos tira.

Em alguns momentos precisamos nos apresentar como fortes, e ser forte não quer dizer não ficar triste, mas continuar seguindo mesmo quando as condições são desfavoráveis e cruéis.

Em situações desfavoráveis temos todo o direito de experimentar a tristeza, visto que em situações difíceis precisamos gastar muita energia para nos manter em atividade, e esse gasto de energia extra, naturalmente, pode nos deixar com o humor um pouco abatido.

Ser forte: encarar os momentos difíceis e aprender com eles

Ser forte não quer dizer não ficar triste nunca.

Muito pelo contrário!

Ser forte é reconhecer que se está triste, e então iniciar um diálogo interno para compreender como as circunstâncias nos afetam, e como a tristeza que está dentro de nós interfere na nossa vida, e como podemos nos mobilizar para encararmos os desafios e encontrarmos novamente um bom equilíbrio.

A verdadeira força é, nos momentos difíceis, encarar as dificuldades com criatividade, conhecer o sentimento desagradável e aprender com ele.

Os desafios nunca acabarão, eles fazem parte da vida, portanto, jamais nos livraremos deles.

Todavia, quanto mais desafios enfrentarmos, mais conhecimento será adicionado ao nosso ser, e mais habilidades teremos oportunidade de desenvolver. Isso é crescimento.

A tristeza está sendo confundida com doença

Estamos vivendo numa época em que muitos grupos estão tentando transformar tudo em doença, com o intuito de aumentar o consumo de supostas soluções para as mazelas humanas.

Isso é muito grave, e essa trama ainda não foi percebida pela maioria das pessoas.

A tristeza que sentimos quando passamos por momentos difíceis é uma manifestação natural da vida, nada tem a ver com uma baixa de humor provocada por uma manifestação de cunho patológico.

Infelizmente a mídia tem ajudado de forma importante a transformar erroneamente a tristeza normal em doença.

Os comerciais, os programas de TV, as propagandas, tudo traz a ideia de que a tristeza é um sentimento que deve ser evitado a qualquer custo, e que só existe lugar para a alegria.

A negação da tristeza e do mal-estar pode trazer mais prejuízos que benefícios

Negar a tristeza pode não ser um bom caminho. Quando a ignoramos, e fingimos que nada está a acontecer, o que estamos fazendo na verdade é não dando atenção a uma parte importante de nós mesmos.

Negar a tristeza exige a canalização de uma imensa quantidade de energia para a tarefa de se fingir que não se está sentindo tristeza.

Esse imenso gasto extra não pode ser mantido por muito tempo, assim, quando a energia se esvai, o abatimento que se apodera de nós costuma ser muito maior que o anteriormente sentido e ignorado.

Mas o que fazer então?

A melhor forma de lidar com a tristeza é praticando o diálogo interno.

Quando encaramos a tristeza e os desafios, e nos empenhamos em dialogar com nosso íntimo para aprendermos sobre aquilo que estamos experienciando, temos a oportunidade de desenvolvermos habilidades e descobrirmos potencialidades que podemos utilizar para lidar de forma mais tranquila com as situações e momentos que nos deixam tristes.

Quando trabalhamos nosso autoconhecimento, nos tornamos mais capazes de utilizar nossos próprios recursos internos para lidar com a tristeza e com os desafios inerentes à vida humana.

É um processo de aprendizado, de aventura, que nos oferece a possibilidade de nos tornarmos mais autônomos e mais capazes de tomar nossas próprias decisões, escolher nossos próprios caminhos e viver do jeito que nos agrada.

A tristeza não é uma inimiga que deve ser extirpada da existência humana

saiba que ficar triste também é normal

Os sentimentos humanos não são nem maus e nem bons. Na verdade, eles são possibilidades e experiências que fazem parte da vida.

Os sentimentos, sejam eles provocadores de bem ou mal-estar, são oportunidades que temos de experienciar a vida em sua plenitude.

A forma como lidamos com eles é que faz a diferença, ou seja, o que escolhemos fazer quando estamos experienciando os sentimentos é que nos proporcionará mais aprendizado ou mais dissabores.

Não é preciso ficar alarmado quando se está sentindo tristeza. É mais produtivo buscar conhecer aquele sentimento, encará-lo de frente, e então descobrir as possibilidades que ele oferece.

Quanto mais você busca dialogar consigo mesmo, mais fácil se torna lidar com a tristeza.

Quanto mais você tenta fugir da tristeza, mais difícil se torna lidar com momentos difíceis e sentimentos que geram mal-estar.

Dar atenção e compreender a tristeza para viver com mais qualidade de vida

O exercício do autoconhecimento é o que nos torna mais capacitados para encarar os desafios da vida.

Dar atenção, dialogar e conhecer aquilo que se passa dentro de nós é um exercício emocional que resulta em mais forças e habilidades para lidar com situações difíceis.

Da mesma forma que exercitamos o corpo para nos tornarmos mais fortes, ágeis e resistentes, é preciso exercitar nosso emocional para nos tornarmos mais capacitados para lidar com a dor emocional e os desafios que surgem na nossa vida.

Somos seres carregados dos mais diversos sentimentos, portanto, se não aprendemos a lidar com essa grande gama de sentimentos, perdemos muito de nossa autonomia, e damos espaço para a entrada de propostas de supostas soluções mágicas que prometem acabar com os nossos sofrimentos, então corremos o risco de perder muito tempo e dinheiro.

Reconheça seu direito de sentir tristeza, e exercite sua força emocional. Busque ajuda quando julgar que é realmente necessário.

A tristeza vai e vem, assim como a alegria e os bons momentos vão e vem.

Nenhum sentimento é permanente, porque nós somos seres em constante processo de construção.

Ficar triste não é o fim do mundo, muito pelo contrário, a tristeza pode motivar você a construir um mundo ainda melhor.

Você é quem escolhe o que fazer.

Pense nisso!